Consulta da FNE ao secundário e superior: Excesso de trabalho preocupa professores


Mais de metade dos professores do ensino secundário assinalam o excesso de trabalho como uma das suas mais fortes preocupações na atualidade, enquanto os professores do ensino superior referem o facto de não terem sido vacinados.

Estas são duas conclusões da consulta que a FNE – Federação Nacional da Educação promoveu para conhecer as condições em que decorreu o regresso ao ensino presencial naqueles dois níveis de ensino.

Com efeito, numa primeira linha de análise dos resultados e em relação à questão suscitada sobre as três maiores preocupações com a atividade profissional, 54,8% referem o excesso de trabalho, logo a seguir à saúde mental e o bem-estar (58,7%). Analisando as razões invocadas para esta preocupação, assinala-se a necessidade de que os professores tenham mais tempo para se dedicar à prática letiva, em vez de serem «bombardeados» com emails e solicitações burocráticas, permitindo que se possam centrar na recuperação das aprendizagens dos alunos “sem nos massacrarem”.

Os docentes referem ainda que o esforço físico e mental (stresse) é extremamente difícil de suportar, num regime onde impera a desconfiança e o medo da proximidade, por causa da pandemia. Outra referência vai para a atribuição de serviço de substituição, que aumenta o risco de contágio, porque os docentes estão em contacto com turmas que não são suas, para além do trabalho que daí acresce.

Não estranha que, na apreciação do sentimento dos Docentes com o seu regresso à atividade letiva presencial, 30% diz que melhorou (tinham sido 25,4% entre os docentes dos 2º e 3º ciclos do ensino básico), e só 18,1% refere que piorou (tinham sido 20% entre os docentes dos 2º e 3ºciclos do ensino básico).

Como segunda linha de conclusões, a FNE assinala que muitos docentes do ensino secundário aproveitaram para deixar uma mensagem crítica em relação ao impacto negativo que representa a avaliação de desempenho e os seus constrangimentos. Nomeadamente no acesso aos 5º e 7º escalões, um fator de forte mal-estar a juntar às preocupações mais diretamente ligadas às condições de regresso ao ensino presencial.

Em relação ao sentimento de segurança no trabalho com os alunos, assinala-se, como terceiro elemento de conclusões, que desta vez 28,9% dos inquiridos afirma não se sentir em segurança, ao invés dos 37,7% entre os docentes dos 2º e 3º ciclos, e 26,9% entre os educadores e professores do 1º ciclo.

Esta questão associava-se ao índice de cumprimento pelos alunos das regras de segurança determinadas, havendo agora 51,8% dos docentes do ensino secundário e 30% dos docentes do ensino superior a referir a inexistência de tal cumprimento (tinham sido 64,1% nos docentes dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e 37% nos educadores de infância e professores do 1º ciclo). Entre as medidas não cumpridas, 91,8% dos docentes refere o distanciamento físico, dentro e fora das salas de aula, 48,1% a não utilização de máscara fora da sala de aula e 36,4% assinala a falta de higienização das mãos.

A este nível, há quem assinale que os maiores problemas surgem fora das instituições de ensino, quando os estudantes se juntam em cafés e esplanadas, sem o menor distanciamento. Outra referência comum vai para a partilha de material e até de alimentos e de bebidas.

Uma quarta linha de conclusões liga-se com a apreciação do bem-estar emocional dos alunos, e 49,5% diz que ele melhorou com o regresso ao ensino presencial (50,9% para os docentes dos 2º e 3º ciclos e 58% para os educadores de infância e professores do 1º ciclo). Entretanto, 12,1% nota que esse bem-estar piorou (13,9% para os 2º e 3º ciclos e 7,3% nos educadores de infância e professores do 1º ciclo).

A quinta linha de análise dos resultados vai para a elevada percentagem de docentes do ensino superior (26,4%) que respondeu não ter sido vacinada, por não estar abrangida pela prioridade de vacinação. Para a FNE, é essencial que seja cumprida, o mais rapidamente possível, a plena vacinação de todos os trabalhadores da educação, considerando que é irresponsável adiar, por mais tempo, a vacinação de docentes e não docentes do ensino superior.

Em relação aos trabalhadores não docentes, os resultados desta consulta confirmam as preocupações que já tinham sido reveladas nas duas consultas anteriores, relativamente ao cumprimento das normas de segurança pelos alunos e às suas condições de trabalho.

Termina desta forma um ciclo de três consultas da FNE, lançadas sucessivamente em 22 de março, 12 e 26 de abril, na sequência de cada uma das fases de regresso ao ensino presencial, que envolveu mais de 3.000 docentes e não docentes, permitindo um retrato muito claro sobre as condições em que aquele processo foi decorrendo.

Para a FNE torna-se, assim, essencial:

- promover orientações que permitam aos professores a concentração do seu trabalho em atividades com os alunos, sem estarem sujeitos ao múltiplo cumprimento de tarefas burocráticas, que os dispersam do que para eles é essencial;

- insistir na exigência de cumprimento de todas as normas de segurança por parte dos alunos, para que se garanta que as escolas continuem a funcionar em plena segurança;

- cumprir a rápida vacinação de todos os docentes e não docentes do ensino superior e concluir também com rapidez a vacinação de cerca de 50.000 docentes e não docentes dos ensinos básico e secundário, ainda não vacinados.

Informação complementar

Esta terceira consulta foi promovida pela FNE, através do seu site e das suas redes sociais; decorreu entre os dias 26 e 30 de abril de 2021, na sequência da retomada da atividade letiva presencial, em 19 de abril de 2021, nos ensinos secundário e superior.

Responderam 712 docentes, 95 Não Docentes, num total de 807 respondentes.

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