Relatório global da IE conclui que professores estão sobrecarregados, mal pagos e desvalorizados


O relatório de 2021 da Internacional da Educação (IE) sobre “A Situação Global dos Professores e da Profissão Docente” conclui que os professores em todo o mundo estão sobrecarregados, mal pagos e subestimados, de acordo com dados de 2020, recolhidos junto de 128 líderes sindicais em 94 países na era do COVID-19, que teve um grande impacto na Educação.

O encerramento de escolas em todo o mundo, aumentou a valorização dos professores e do trabalho que realizam com os seus alunos, por parte da sociedade, mas essa consciencialização não gerou melhorias estruturais, como mais investimentos, mais apoios e melhores condições de trabalho para os educadores e docentes. Na verdade, os orçamentos para a educação caíram 65% nos países de baixo e médio rendimentos e 33% nos países de rendimentos altos e médio altos.

Este relatório da IE de2021 aponta para a falta de condições de todo o sistema para atrair uma nova geração de jovens educadores para a profissão e para a contínua falta de professores em muitos países do mundo que desgasta o direito de todos os alunos poderem ser educados por um professor devidamente qualificado.

Segundo o norte-americano David Edwards, Secretário-Geral da IE, a educação precisa de governos que realizem investimentos urgentes nos professores e nos alunos. É também necessário aumentar os salários dos professores e reduzir a carga de trabalho algo essencial para recrutar os melhores profissionais para a profissão e garantir uma educação de qualidade para todos. Medidas que a FNE tem reivindicado desde há muito também em Portugal.

Os números que o relatório da IE, da autoria do Professor australiano Greg Thompson, da Universidade de Tecnologia de Queensland apresenta, permite perceber os fatores que afetam a situação dos trabalhadores da educação em todo o mundo, como os salários e condições de trabalho, assim como a autonomia profissional e a representação dos professores nos meios de comunicação social. Alguns dos principais resultados permitem concluir que:

_ Mais de 43% dos inquiridos afirmou considerar que os salários dos professores são muito baixos, as condições estão a deteriorar-se e a infraestrutura para apoiar o ensino e a aprendizagem não é uma prioridade para o investimento dos governos.
_ Cerca de 55% dos entrevistados afirmaram que o volume de trabalho era incontrolável e 66% assumiram que os requisitos “administrativos” estavam a contribuir para as pressões excessivas da carga de trabalho para os profissionais da educação.
_ Para 48% dos entrevistados a profissão docente não é uma profissão atrativa para os jovens e o abandono da profissão foi relatado como um problema em todos os níveis académicos.
_ A precariedade está a aumentar pois quase 60% dos entrevistados apontaram a prática do uso de contratos casuais e de curto prazo para empregar professores e académicos.
_ E a formação contínua permanece insuficiente para os professores.

Os inquiridos deixaram recomendações para melhorar o estatuto da profissão, afirmando que o foco no salário, nas condições do exercício profissional e, em particular, na carga de trabalho seriam elementos valiosos a considerar.

A IE é a Federação Sindical Global que reúne organizações sindicais de educadores, professores e trabalhadores não docentes de todo o mundo. Com 383 organizações filiadas, entre as quais a FNE, em Portugal, representa mais de 32 milhões de educadores em 178 países e territórios, de África, Ásia-Pacífico, Europa, América Latina, América do Norte e Caraíbas.

Consulte aqui o relatório de 2021 da Internacional da Educação (IE) sobre “A Situação Global dos Professores e da Profissão Docente” (versão inglesa)

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