PISA 2022: Portugal dá grande tombo em matemática e em leitura

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PISA 2022: Portugal dá grande tombo em matemática e em leitura

De um modo geral, os resultados do PISA 2022 desceram devido ao impacto da Covid-19, de medidas de austeridade e da falta de recuperação de aprendizagens. Portugal deu um grande tombo em literacia matemática (- 21 pontos) e de leitura (-15 pontos) e tropeçou ainda na literacia científica (– 7 pontos). Singapura, Japão e Coreia lideraram o top com Baku (Ajerbeijão), Autoridade Palestiniana e Kosovo no fundo da tabela. Para combater disparidades a longo prazo nos resultados dos alunos em termos de género e de desigualdades, as estratégias de recuperação continuam a ser essenciais.

Quatro anos após o PISA 2018, a OCDE divulgou hoje (5 de dezembro de 2023) a nível global os resultados do Programa de Avaliação Internacional dos Alunos – PISA 2022, que mede a capacidade de os jovens de 15 anos utilizarem os seus conhecimentos e competências em leitura, matemática e ciências para enfrentarem desafios da vida real. Responderam 700 mil alunos, em 81 países/economias do mundo, representando um total de 29 milhões de estudantes.

Devido à pandemia, o habitual ciclo trianual do PISA prolongou-se por mais um ano, desta feita com a literacia da matemática como domínio principal. O relatório divide-se em dois volumes: o Volume 1, intitulado “O Estado da Aprendizagem e da Igualdade na Educação”, centra-se nas principais conclusões do PISA, incluindo os quadros principais que comparam o desempenho dos países nos três domínios com os resultados de 2018.

O Volume 2, de título “Aprendendo Durante – e da – Disrupção”, apresenta os dados completos que fundamentam as recomendações políticas da OCDE. Dele fazem parte sete capítulos, desde o capítulo um “Sistemas Educativos Resilientes” até ao capítulo sete, que analisa o caminho entre a data e os conhecimentos.

No PISA 2022, Portugal obteve um desempenho de 472 pontos em matemática (-20.6 que em 2018), 477 em leitura (-15.2 que em 2018) e 485 em ciências (-7.3 que em 21018), sendo a média da OCDE respetivamente 472, 477 e 485. A média da OCDE em 2108 foi de 487 em leitura, 489 em matemática e 489 em ciências. O contexto socioeconómico continua a ter uma influência muito significativa no desempenho dos alunos portugueses nos três domínios.

Se atentarmos num período de 10 anos (entre 2012 a 2022) Portugal desceu -14.6 em literacia matemática, -12.8 em leitura e -7.3 em ciências.

Disparidades económicas e de género persistem

O desempenho em matemática diminuiu nos países com um desempenho acima da média da OCDE, com exceção de Singapura, Taipé, Japão e Coreia. O desempenho em todos os países da média da OCDE está igualmente a diminuir. O desempenho nos países abaixo da média da OCDE também diminuiu, com exceção de Turquia, Brunei, Cazaquistão, Qatar, Panamá, Filipinas, Guatemala, República Dominicana, Paraguai e Camboja.

O desempenho em leitura nos países com um desempenho acima da média da OCDE diminuiu, com exceção do Japão, da Coreia, de Taipé e da Itália. O desempenho nos países que se situam na média da OCDE diminuiu, com exceção de Israel. De igual modo, o desempenho nos países abaixo da média da OCDE diminuiu, com exceção da Sérvia, do Uruguai, do Brunei, do Qatar, do Peru, da Guatemala, do Paraguai, da República Dominicana, das Filipinas e do Camboja.

O desempenho em ciências dos países com resultados acima da média da OCDE diminuiu, com exceção de Singapura, Japão, Macau, Taipé, Coreia, Hong Kong, Austrália, Irlanda, Suíça, República Checa, Letónia, Dinamarca e Áustria. O desempenho nos países da média da OCDE diminuiu igualmente, com exceção da Hungria, da Lituânia e da Croácia.

O desempenho nos países abaixo da média da OCDE diminuiu de igual modo, com exceção da Itália, Turquia, Malta, Israel, Sérvia, Brunei, Chile, Uruguai, Qatar, Roménia, Cazaquistão, Peru, Argentina, Arábia Saudita, Panamá, Geórgia, Guatemala, Paraguai e República Dominicana.

A média da OCDE caiu quase 14 pontos em literacia matemática e cerca de 10 em leitura, em comparação com o PISA 2018. As quedas sem precedentes em matemática e leitura apontam para o efeito de choque da Covid-19 na maioria dos países. Em verdade, a deterioração do desempenho em matemática entre 2018 e 2022 seguiu-se a uma década e meia de desempenho estável. Porém, as trajetórias já se tinham tornado negativas depois de 2012.

As disparidades socioeconómicas e de género nas lacunas de desempenho não se alteraram entre 2018 e 2022. E apenas quatro sistemas educativos, nomeadamente o Japão, a Coreia, a Lituânia e Taipé, podem ser considerados resilientes no que diz respeito ao desempenho em matemática, à equidade e ao bem-estar.

A OCDE apresenta dez ações que os países podem tomar para melhorar a resiliência dos sistemas educativos: 1.  Evitar encerramentos de escolas prolongados; 2. Preparar os alunos para uma aprendizagem autónoma; 3. Construir bases sólidas para a aprendizagem e o bem-estar; 4. Limitar as distrações dos dispositivos digitais e 5. Reforçar as parcerias entre a escola e a família.

As outras cinco medidas são: 6. Atrasar a idade de seleção; 7. Fornecer apoio adicional aos alunos com dificuldades e reduzir a repetição de ano; 8. Assegurar pessoal e material adequados e de elevada qualidade; 9. Estabelecer as escolas como centros de interação social e 10. Combinar a autonomia da escola com mecanismos de controlo da qualidade.

Má recuperação na igualdade

No respeitante ao apoio dado por professores e escolas aos alunos portugueses Portugal ficou classificado em quatro importantes critérios acima da média da OCDE, obtendo uma percentagem de 83.3 de respondentes que afirmaram que nunca ou só poucas vezes tiveram problemas em encontrar alguém que os pudesse ajudar com o trabalho de casa.

Por outro lado, apenas cerca de 5% dos alunos portugueses reportaram terem sido expostos a bullying. No entanto, os alunos faltosos às aulas pontuaram 40 pontos abaixo dos seus colegas que frequentaram a escola com regularidade.

Entre 2018 e 2022, a percentagem de alunos em escolas cujo diretor comunicou que a aprendizagem é prejudicada por falta de pessoal docente aumentou em 58 países/economias, e em mais de 30 pontos percentuais na Austrália, Bélgica, Camboja, Chile, França, Guatemala, Letónia, Países Baixos, Polónia e Portugal.

Tal como a Áustria, Finlândia, França, Arábia Saudita ou a Suécia, Portugal revelou uma boa capacidade de recuperação em termos de bem-estar, mas não em termos de desempenho na literacia matemática ou na igualdade. Porém, o nosso país destacou-se na alimentação aos alunos, com uma grande ajuda das autarquias.

Em média, nos países da OCDE, 8,2% dos estudantes afirmaram não ter comido pelo menos uma vez por semana nos 30 dias anteriores, por não terem dinheiro suficiente para comprar comida. Três países registaram as percentagens mais baixas (menos de 3%) destes estudantes: Portugal (2,6%), Finlândia (2,7%) e Países Baixos* (2,8%).

PISA 2022 - Volume 1

PISA 2022 - Volume 2


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